Nova Ordem ideológica


A época em que vivemos, simultaneamente de esperanças e apocalipses, empurra-nos mais uma vez para o discurso ideológico. Na Europa o nacionalismo está de volta, mas a propaganda política ainda não conseguiu criar  um Churchill ou um De Gaule – embora já tenhamos um novo Stalin, sem camisa e emergindo do rio Neva a cavalgar o seu urso de estimação, e que prefere, ao invés de picaretadas, jogar substâncias radioativas no cafezinho dos inimigos políticos.

No entanto, parece óbvio que essa história de Nova Ordem Mundial, paradoxalmente inevitável e ao mesmo tempo impossível, tornou-se a responsável pela ascensão de uma era de espíritos nacionalistas revoltados, afinal, ninguém mais aguenta o discurso politicamente correto. E ela é inevitável por conta da unanimidade em relação ao seu discurso; impossível porque uma ditadura mundial seria extremamente conflituosa e geradora de levantes revolucionários.

Mas é curioso observar o fato de os pensamentos ideológicos da nossa época terem um caráter mutante. Antes as ideologias eram dogmáticas, morria-se por um ideal; hoje, elas absorvem todas as suas contradições, modificam-se e se transformam; vivem apenas da imagem ilusória de um inimigo comum.

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