Confesso que beberei

Lula encomendou um livro a seus jornalistas de aluguel: A Verdade Vencerá. Com dois vês maiúsculos, certamente para lembrar os três de Vim, Vi e Venci do Imperador Julio César – não subestime a criatividade dos marqueteiros petistas, misturada a uma pulsão pseudo-freudiana do nosso nanico moral que se pretende o grande Imperador latino-americano.

Como editor, teria escolhido outro título. Confesso que bebi seria talvez o mais apropriado, a considerar a própria confissão do nosso supremo apedeuta que “bebeu pra valer na Copa de 74”; se demorasse um pouco mais, seria inevitável o clichê Memórias do Cárcere.

Mas se por um lado engolimos o nosso personagem insólito fazendo discurso político no dia em que fora condenado em 2ª instância, o que dizer sobre os dois ex-presidentes mais intelectualmente inaptos da nossa história lançarem livros escritos por jornalistas de aluguel? Deveríamos considerar mais um V, o de Vaidade? Ou considerar que outros políticos já receberam propinas disfarçadas de vendas de livros – e há quem prefira palestras!

O pior não são as propinas nem a pulsão pseudo-freudiana de nanicos morais e tampouco a inépcia intelectual dos nossos políticos. Mas a criatividade imaginativa de nossos jornalistas quando criam diálogos ficcionais onde um elemento imoral e boca-suja como Lula poderia lançar mão de uma frase floreada com adornos parnasianos: “prenhe de ameaças de vil e covarde rancor”. Isso só acontece na cabeça de um Juca Kfouri.

Ainda é cedo e não bebi. Mas confesso que beberei, considerando que a situação cultural do Brasil já passou da hora e do bem senso.

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