O Brasil profundo

Perdeu o uso da audição”, diz Ortega y Gasset no seu A Rebelião das massas, sobre o homem-massa, que em tudo intervém com suas opiniões.
Mas atingimos um novo patamar. Atualmente, existem aqueles para quem opinar é vocação e missão. São as celebridades: atores, cantores e uma multidão que ninguém sabe dizer o que fazem, exceto serem famosos. Para eles o sucesso e dinheiro são confirmação mística do seu direito cósmico a ‘opinião’; opinião utópica, romântica e mitológica. Eis que agora temos o homem-massa exotérico
Katy Perry, a engajadíssima cantora americana, está no Brasil. E já não basta ser cantora, tem que ser Sibila. Katy Perry fez uma homenagem no seu show a Marielle Franco, nos mostrando que em nosso tempo até a tragédia é pop.
Recordemos, contudo, que Katy conhece bem o Brasil profundo, afinal de contas, é admiradora da imortal Gretchen, de quem declarou: “Ela é maravilhosa, icônica. Ela é a internet“.
Sim, perdemos a audição… e a música pop está aí para provar.

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