O simbolismo de uma prisão

A prisão do Lula é talvez mais simbólica do que institucional. Representa o fim de um mito; o fim de um ciclo. A mentalidade de que tudo deve ser resolvido dentro da política sempre foi uma analogia do “fim que justifica os meios”. Eu, pessimista irremediável, sou obrigado a sucumbir a um certo otimismo por conta dos acontecimentos inéditos e surpreendentes ocorridos desde o mensalão. Não resolvemos todos os males, é verdade, mas a tendência é que os políticos tenham mais responsabilidade, ou melhor, tenham mais prudência na hora de cometer seus ilícitos, agora que se criou uma expertise para tratar os males congênitos da corrupção.
 
Todos nós esperamos que, aos poucos, a forma de se fazer política vá mudando; que as novas lideranças não aceitem o velho jogo da disputa pelo poder, que substituiu o bem comum pela busca de privilégios e contas clandestinas em paraísos fiscais; esperamos que o Ministério Público continue na sua luta contra a corrupção. Porque não se trata e nunca se tratou de disputa ideológica, mas de organizações criminosas arregimentadas sob siglas partidárias, que, a cada eleição, vão se apoderando dos cargos públicos para satisfazerem seus próprios interesses. Também não se trata de um “mecanismo” ou “sistema”, mas de um hábito perverso que, para fazer uma homenagem ao nosso mais ilustre presidiário, precisa ser “extirpado da política brasileira”.

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