Não vou canonizar Baudelaire, por Leonardo Castellani

“Não vou canonizar Baudelaire, certamente não é uma leitura para moças que se alimentam com sanduíches e novelas norte-americanas, nem para moças em geral, nem para beatos, nem para burgueses, nem para burros, nem para sacerdotes não advertidos, nem para homens sem percepção artística, nem para a imensa paróquia do moralismo e da ortodoxia infantil. Espreitar o abismo não é para todos; e o abismo está presente em Baudelaire como em nenhum outro poeta de todos os séculos.

Ai de mim! Tudo é abismo, ação, desejo, sonho….
Baudelaire é abismalmente triste, Baudelaire pinta o amor sexual como ele é, com seus êxtases e com suas tremendas dores e degradações; e Baudelaire blasfema: tinha que blasfemar por causa das almas piedosas, desejosas da perfeição do sexo feminino; isto é, talvez tinha que ser heterodoxo viril por causa da atual ortodoxia infantil, que faz blasfemar da religião as almas grandes e retas. “

(Leonardo Castellani. Psicología humana)

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