Teens

Querem me provar errado, me chamam exagerado, dizendo que ainda há interesse por literatura no Brasil. E num acesso de raiva, me dizem que a literatura está viva:  – Mas as novas gerações leem, as crianças leem, os adolescentes também leem. Veja os dados, como certa famosa autora brasileira, escritora de livros infanto-juvenis vendeu 2 milhões de livros. E contra fatos não há argumentos – me dizem.

Certamente, por mais trágicos que sejam os fatos. Devo então explicar-lhes, que comprar um livro não é ler, é comprar e só. Há quem colecione bibelôs, bonecas velhas e moedas. Há quem colecione livros. Comprar não é ler.

Na maioria das vezes, o fenômeno da existência de best sellers nada tem que ver com a literatura, é relativo ao marketing e a propaganda. Não desprezo os best sellers, como não desprezo fast food, pelo contrário. Mas, cada um no seu quadrado, por favor.

A poetisa italiana Cristina Campo, nos conta que na sua infância, após ser lido todas as fábulas, todos os volumes de história sacra e tudo quanto podia, se dirigiu a biblioteca de seu pai, pedindo que a deixasse ler algum livro de lá. Com um gesto, exclui quase toda a biblioteca, mas indicou uma parte separada: “Estes sim, pode ler todos, são os russos. Encontrará muito para sofrer, mas nada que possa te fazer mal”.

Eis aí meu grande temor, é que os tais autores –  com suas 2 milhões de cópias vendidas- são literatura glicêmica, teen no estado puro. São livros que deveriam vir com uma bula, avisando aos pais e responsáveis sobre os efeitos colaterais. Eles podem fazer muito mal, acabam causando cáries ou diabetes.

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