Chesterton editor

Meu amigo Pedro Erik Carneiro apresentou-me ao livro «Platitudes in the Making Precepts and Advices for Gentlefolk», de Holbrook Jackson. O livro em si é irrelevante. O que importa mesmo são os deboches anotados com lápis verde pelo ‘editor’ G. K. Chesterton. Em suma, Chesterton fez o que todos os editores gostariam de fazer quando recebem traduções ou manuscritos originais: destacar, com lápis verde e o desenho de um burrinho, as expressões idiomáticas traduzidas ao pé da letra; e marcar, com um demonico verde, as notas de rodapé nonsense e os prefácios com mais de 20 páginas de alguns presunçosos que realmente acreditam ter alguma coisa de importante para dizer à humanidade.
 
Além de um grande escritor, Chesterton consola todos os miseráveis que, de forma anônima, passam as noites em claro e os dias em túrbido para levar ao leitor um texto mais ou menos decente. Tarefa inglória num país em que quase ninguém lê – e muitos dos que lêem, normalmente não entendem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anti-spam device *