O absolutismo da política

O nosso inabalável chanceler Araújo, no seu famoso ensaio que mistura devaneios políticos, esoterismo religioso e sobrenaturalidade esportiva, abraça carinhosamente a radicalização do cartesianismo ocorrida no pensamento político-filosófico dos anos 60: se Descartes duvidava da consciência que duvida, o cientista político contemporâneo duvida do sujeito que está duvidando. Ou seja: eles acreditam que o homem é movido por forças econômicas, políticas, sociais e culturais, exercidas através de estruturas de poder. É a tese de Foucault, pervertendo e radicalizando o materialismo histórico, tão caro aos marxistas. Então, desse racionalismo grosseiro e anti-humanista, surgem bizarrices como guerras culturais, ideológicas e o Clash of Civilizations de Samuel Huntington, teses incensadas pelo o nosso hermético chanceler Araújo em seu ensaio que termina de forma pateticamente prometeica, elevando Donald Trump a semi-deus do mar e dos ares. A negação do homem é a afirmação absoluta das forças políticas. E o delírio das utopias é traço de união entre a direita e a esquerda.

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