A política e o charlatanismo

Como os charlatões e ocultistas com suas bolas de cristal e borras de café no fundo da xícara, os ideólogos modernos utilizam uma linguagem místico-simbólica, baseada num fluxo de informações incontrolável. É assim que o ideólogo se torna uma autoridade incontestável e passa a apresentar absurdos com ares de sabedoria perene. Continuar lendo A política e o charlatanismo

Análise da obra “Ruína de Charque Caruaru, 2000”, de Adriana Varejão

Uma peça irregular de madeira de aproximadamente 80x45cm, simulando um fragmento de concreto reciclado de construção, possivelmente recortado com uma serra de corte duplo com controle eletrônico de velocidade e sistema antivibração. Continuar lendo “Análise da obra “Ruína de Charque Caruaru, 2000”, de Adriana Varejão”

A política salvará o mundo…

A política moderna consiste na criação de mitos. O mito do sistema político perfeito que irá abolir as misérias humanas. O mito do líder que trará a justiça aos injustiçados, felicidade aos infelizes, punição aos conjurados. Fundamenta-se na ideia de que a natureza humana é má, por isso é necessário a eleição de um profeta para absolver os pecados e resolver os problemas do mundo. Continuar lendo “A política salvará o mundo…”

A beleza e o seu contrário

Num concerto em Tóquio, ainda em 2014, o maestro japonês Joe Hisaishi colocava um ponto final na discussão sobre a hierarquia de valores em relação às artes.

Conduzindo a Orquestra Filarmônica do Japão da insalubridade de Penderecki para o céu cheio de estrelas de Bach, ele demonstrou objetivamente a diferença entre a beleza e o seu contrário. Continuar lendo “A beleza e o seu contrário”

Análise da obra “Sem título” nº. 02, de Giovanni Anselmo

Artefato artístico realizado em 1967, também conhecido como La scultura che mangia. É composto por duas peças de granito polido com muito esmero, sendo o maior um bloco paralelepipedal em prisma de 6 faces; o segundo, menor, forma um hexaedro regular cubiforme perfeito. Continuar lendo “Análise da obra “Sem título” nº. 02, de Giovanni Anselmo”

Humano, demasiado humano

2018 será o ano da Inteligência Artificial. Novamente teremos uma máquina vencendo enxadristas, videogamers, youtubers, gogozeiros (que são jogadores de go, o xadrez chinês), cicloativistas de ciclovia e, finalmente, as infalíveis urnas eletrônicas brasileiras.

A imprensa não se entusiasmava tanto desde El Turco, o misterioso autômato enxadrista que viveu no século XVIII e derrotou Benjamin Franklin e Napoleão Bonaparte; os engenheiros do Google não se entusiasmavam tanto desde o anúncio do fim do Orkut. Continuar lendo “Humano, demasiado humano”

Os assobios de Theodor Adorno

Adorno não gostava de assobios. Mais especificamente de jovens no metrô assobiando o final da 1ª Sinfonia de Brahms. Para o filósofo, nada é mais ultrajante do que a vulgarização da música, nada é mais desprezível do que isolar partes da estrutura musical  para profaná-la com assobios na fila da espera do trem. Adorno odiava essa tendência do romantismo burguês de amputar uma peça da arte … Continuar lendo Os assobios de Theodor Adorno