Bomba de efeito moral

Como evitar que os sem-teto invadam os locais públicos? Gás de pimenta, bomba de efeito moral? Faz um tempo que a SNCF [1], companhia ferroviária francesa, descobriu a resposta a tal pergunta durante uma reforma na estação de Rennes. Trata-se da velha e boa música. Mas tem que ser música clássica! Não pode ser hard rock, pop ou rap, tem que música ‘erudita’. Tem que ser Vivaldi, … Continuar lendo Bomba de efeito moral

Flores do Mal

Em 30 de junho de 1845, Baudelaire escreveu uma carta de suicídio. Ele tinha apenas 24 anos. Tentativa infrutífera é verdade, mas aparentemente muito lucrativa. Já que acabam de leiloar a trágica carta por nada menos que 234 mil libras esterlinas [1]  Na era pós-Poética, escondida a Palavra, desprezada a Beleza, o poeta só vale como personagem de folhetim. Depois da banalização do Mal, já não … Continuar lendo Flores do Mal

Não vou canonizar Baudelaire, por Leonardo Castellani

“Não vou canonizar Baudelaire, certamente não é uma leitura para moças que se alimentam com sanduíches e novelas norte-americanas, nem para moças em geral, nem para beatos, nem para burgueses, nem para burros, nem para sacerdotes não advertidos, nem para homens sem percepção artística, nem para a imensa paróquia do moralismo e da ortodoxia infantil. Espreitar o abismo não é para todos; e o abismo … Continuar lendo Não vou canonizar Baudelaire, por Leonardo Castellani

A Atenção e a Imaginação, de Cristina Campo

“A atenção é o único caminho ao inexprimível, a única estrada ao mistério. De fato, está solidamente ancorada no real, e somente por alusões escondidas no real se manifesta o mistério. Os símbolos das Sagradas Escrituras, dos mitos, se vestem das formas mais concretas desta terra: da Sarça ardente ao Grilo Falante, da Maça do Conhecimento às Abóboras de Cinderela. Diante da realidade, a imaginação … Continuar lendo A Atenção e a Imaginação, de Cristina Campo

Jane Austen e a tragédia da fama

Poucos escritores conseguiram – num tempo anti-literário como o nosso – tão grande popularidade como Jane Austen. Ela conseguiu ser best seller, ela ficou famosa. Mas sabiamente já alertava Gustave Thibon: “A fama tem asas rápidas, mas voa na altura do solo. Se prende ao lado mais superficial e mais conforme ao gosto do dia, ao mais vulgar e mais escandaloso do gênio que ela … Continuar lendo Jane Austen e a tragédia da fama

Análise da Obra “Casti connubii”, de Giovanni Gasparro

Ao realismo da obra, nos traços da criança com seus olhos melancólicos e as bochechas rosadas, segue algo de quase surreal com as múltiplas mãos que tocam e cercam a criança. É impossível não captar a ironia do título desta obra, com a qual o artista venceu o “Bioethics Art Competition” da Unesco, em 2013. O título da obra, em latim, faz referência ao “casto … Continuar lendo Análise da Obra “Casti connubii”, de Giovanni Gasparro

Análise da Obra “Il sacrificio di Isacco – Il sacrificio sospeso”, de Giovanni Gasparro

Trata-se de uma das obras do artista realizadas para a Basílica de São José Operário de L’Aquila – cidade arrasada pelo terremoto de 2009. O tema é o sacrífico de Isaac e a suspensão da imolação. Isaac aqui não é um jovem rapaz, mas um homem adulto – ao contrário da opção de outros grandes pintores como Rembrandt e o próprio Caravaggio. O corpo de … Continuar lendo Análise da Obra “Il sacrificio di Isacco – Il sacrificio sospeso”, de Giovanni Gasparro

Crepúsculo

Somos atormentados pelo tempo, ele atrapalha nossos planos. Ele nos compele a contemplar que apesar de tudo ainda somos meros humanos. Esses cabelos brancos não incomodam porque são feios, mas porque sua mera visão me obriga a enfrentar o tempo. “Não há nada trágico em ter 50 anos, a não ser que você tente ter 25”, diz Joe Gillis a Norma Desmond – a decadente estrela – no clássico de Billy Wilder, “O Crepúsculo dos Deuses”. Continuar lendo Crepúsculo

O homem clássico, de Dietrich von Hildebrand

“O homem clássico está preocupado com problemas autênticos. Ele reconhece o perigo do pecado, percebe sua necessidade de salvação, conhece sua fraqueza e fragilidade de sua natureza, está repleto de anseio pela verdade, a comunhão, o amor, sente a insuficiência daquilo que é criado, aspira pelo absoluto, e está “inquieto enquanto não repousa em Deus”. O homem não-clássico está absorvido por problemas ilusórios, problemas originados … Continuar lendo O homem clássico, de Dietrich von Hildebrand

O futuro da Arte

“A Arte não tem futuro próximo porque toda arte é coletiva, e não resta mais vida coletiva (não há senão coletividades mortas), e também por causa da ruptura do pacto verdadeiro entre o corpo e a alma.

A arte grega coincidiu com os inícios de geometria e com o atletismo, a arte da Idade Média com o artesanato, a do Renascimento com os inícios da mecânica, etc. Depois de 1914, houve uma ruptura completa. Continuar lendo “O futuro da Arte”