Freak Show

O homem novo está sempre entediado. Fabricado ideologicamente para o déficit de atenção, precisa de constante estímulo para manter-se desperto e de múltiplas drogas para conseguir dormir. Desconhece a vida real fora do laboratório. Daí o papel de primeira linha do Freak Show em nossa subcultura: Dopar-nos. Lo Spagnoletto já conhecia tal bizarra inclinação. Das Mulheres barbadas à chuva de palavrões para defender os bons costumes… … Continuar lendo Freak Show

Um partido político, de Simone Weil

“Um partido político é uma máquina de fabricar paixão coletiva. Um partido político é uma organização construída de modo a exercer uma pressão coletiva sobre cada um dos seres humanos que são membros dele. O fim primeiro (e, em última análise, único) de todo partido político é seu próprio crescimento, sem limite. Tendo em vista essa tríade de características, todo partido é totalitário, potencialmente e em aspiração. … Continuar lendo Um partido político, de Simone Weil

A Política, a mais cruel divindade

Nosso problema não é tanto a demonização da política, mas sua divinização. Toda a interioridade do homem foi absorvida por essa idolatria, por isso a turba informe pode clamar: Eu sou o Lula. Já havia alertado Simone Weil: “A atual idolatria do totalitarismo não pode encontrar obstáculo senão na vida espiritual autêntica. Se habituamos as crianças a não pensar em Deus, se tornarão fascistas ou … Continuar lendo A Política, a mais cruel divindade

Baudelaire e a Possessão, de Fabrice Hadjadj

O poeta escreve no seu diário íntimo: “A maior astúcia do Diabo é nos persuadir de que ele não existe”. Igualmente a possessão mais diabólica não é aquela totalmente histérica, mas a sentimental: “Vede George Sand. Ela é especialmente, e mais que qualquer outra coisa, uma enorme besta, mas está possuída. É o Diabo que a persuadiu a confiar no seu bom coração e no seu bom … Continuar lendo Baudelaire e a Possessão, de Fabrice Hadjadj

Propaganda e publicidade, Georges Bernanos

“Imbecis, não vedes que a civilização das máquinas exige de vós uma disciplina cada dia mais estrita? Ela exige em nome do Progresso, isto é, em nome de uma concepção nova de vida, imposta aos espíritos por sua enorme máquina de propaganda e publicidade. Imbecis! Compreendais, portanto, que a civilização das máquinas é ela mesma uma máquina, que todos os movimentos devem ser, cada vez … Continuar lendo Propaganda e publicidade, Georges Bernanos

O ditador, de Georges Bernanos

“O ditador não é um chefe. É uma emanação, uma criação das massas. É a Massa encarnada, a Massa no seu mais alto grau de maldade, no seu mais alto poder de destruição. Assim, o mundo irá, num ritmo sempre acelerado, da democracia à ditadura, e da ditadura à democracia, até o dia que…” Georges Bernanos, La France contre les robots Continuar lendo O ditador, de Georges Bernanos

Estruturas de pecado, de Fabrice Hadjadj

“A expressão é freqüentemente usada, mas raramente compreendida nas suas implicações. A primeira é que uma tal estrutura não é o fruto de uma só decisão, mesmo comum. Ela não corresponde a uma simples instituição humana, porque está além de seus atores. A isso se pode imputar a perda de visibilidade e de responsabilidade que implica a divisão burocrática do trabalho. Mas isso vai ainda … Continuar lendo Estruturas de pecado, de Fabrice Hadjadj

A política salvará o mundo…

A política moderna consiste na criação de mitos. O mito do sistema político perfeito que irá abolir as misérias humanas. O mito do líder que trará a justiça aos injustiçados, felicidade aos infelizes, punição aos conjurados. Fundamenta-se na ideia de que a natureza humana é má, por isso é necessário a eleição de um profeta para absolver os pecados e resolver os problemas do mundo. Continuar lendo “A política salvará o mundo…”

Anitta só para baixinhos

A Folha revela que Anitta agora terá trabalho focado ao público infantil, de 0 a 5 anos. “É uma animação. Não terá a minha imagem mas terá a minha voz“, diz a mesma. Qual das duas opções seria mais escatológica? Difícil opinar. A verdade é que os pessimistas desistem muito fácil, enquanto os otimistas não desistem nunca, não há poço profundo o bastante que não … Continuar lendo Anitta só para baixinhos

Viva Anitta

Um cidadão gordinho e descarado, num site meio gordinho e descarado, semelhante ao que ocorreu nas margens do Ipiranga, ergueu sua espada e proclamou que “Anitta é a última instituição nacional funcionando plenamente”. Os fãs de Chico Buarque protestam com abaixo-assinados e cartas abertas de artistas e intelectuais; os defensores da alta cultura rasgam suas vestes e concluem que os comunistas gramscianos, em conluio com … Continuar lendo Viva Anitta

A força dos mitos

A imprensa, os intelectuais e os violeiros de todo o Brasil passaram as últimas 3 décadas criando o mito do líder operário que chegou à presidência. Finalmente o Brasil tinha um exemplo para dar ao mundo; tinha uma tese sociológica para refutar Max Weber. Lula, o presidente-proletário, representava a ascensão da classe trabalhadora. A revolução que o mundo comunista tentou com assassinatos, gulag e cadernetas … Continuar lendo A força dos mitos

Maniqueísmo político

A política tornou-se inviável a partir da polarização esquerda-direita. Os discursos parecem sempre viciados por um maniqueísmo que divide o mundo em apenas duas categorias estanques – ainda que, de vez em quando, possamos admitir uma ou outra corrente a ser comprimida como subcategorias das duas anteriores. Não há espaço para discussão quando tudo se resume em escolher um lado para lutar. Desta forma, jamais … Continuar lendo Maniqueísmo político

Nem céu nem inferno

Jorge Caldeira, no seu “Nem céu em inferno”,* diz que os nativos tupis já tinham alguma organização política e social quando os europeus chegaram no Brasil. Não era lá uma polis grega e nem mesmo tinham um tratado político escrito por algum intelectual da USP. Mas, de fato, é algo considerável para a época em que o Brasil era apenas uma selva. O curioso disso … Continuar lendo Nem céu nem inferno