Freak Show

O homem novo está sempre entediado. Fabricado ideologicamente para o déficit de atenção, precisa de constante estímulo para manter-se desperto e de múltiplas drogas para conseguir dormir. Desconhece a vida real fora do laboratório. Daí o papel de primeira linha do Freak Show em nossa subcultura: Dopar-nos. Lo Spagnoletto já conhecia tal bizarra inclinação. Das Mulheres barbadas à chuva de palavrões para defender os bons costumes… … Continuar lendo Freak Show

A política e o charlatanismo

Como os charlatões e ocultistas com suas bolas de cristal e borras de café no fundo da xícara, os ideólogos modernos utilizam uma linguagem místico-simbólica, baseada num fluxo de informações incontrolável. É assim que o ideólogo se torna uma autoridade incontestável e passa a apresentar absurdos com ares de sabedoria perene. Continuar lendo A política e o charlatanismo

Teens

Querem me provar errado, me chamam exagerado, dizendo que ainda há interesse por literatura no Brasil. E num acesso de raiva, me dizem que a literatura está viva:  – Mas as novas gerações leem, as crianças leem, os adolescentes também leem. Veja os dados, como certa famosa autora brasileira, escritora de livros infanto-juvenis vendeu 2 milhões de livros. E contra fatos não há argumentos – me … Continuar lendo Teens

Eterno Labirinto, por Cristina Campo

“A arte de hoje é, em grandíssima parte, imaginação, isto é, contaminação caótica de elementos e de planos. Tudo isso, naturalmente, se opõe a justiça (que de fato não interessa a arte de hoje). Se, portanto, a atenção é espera, aceitação ardente, impávida do real, a imaginação é impaciência, fuga no arbitrário: eterno labirinto sem fio de Ariadne. Por isso, a arte antiga é sintética, … Continuar lendo Eterno Labirinto, por Cristina Campo

A Política, a mais cruel divindade

Nosso problema não é tanto a demonização da política, mas sua divinização. Toda a interioridade do homem foi absorvida por essa idolatria, por isso a turba informe pode clamar: Eu sou o Lula. Já havia alertado Simone Weil: “A atual idolatria do totalitarismo não pode encontrar obstáculo senão na vida espiritual autêntica. Se habituamos as crianças a não pensar em Deus, se tornarão fascistas ou … Continuar lendo A Política, a mais cruel divindade

Imbecilidade artificial, por Fabrice Hadjadj

“Eu sou tentado a pensar que o horizonte dos fabricantes de computadores não é tanto a inteligência, mas a imbecilidade artificial. Porque o imbecil não é aquele que consente ao estupor, mas aquele que tem resposta para tudo. Incapaz de se abrir ao que lhe transcende, ao outro, ao acontecimento, ele mói tudo no seu pequeno sistema. Ora, um sistema informático sabe muito bem encerrar-se … Continuar lendo Imbecilidade artificial, por Fabrice Hadjadj

A geração Facebook

Basta ligar o computador – ou o smartphone ou sabe-se lá mais o quê – para se deparar com estas massas fantasmagóricas digladiando-se virtualmente, num espetáculo tão patético como desumano. Eis a geração Facebook! Mas afinal, o que se ganha quando se faz o mal aos outros? Já Simone Weil punha tal questão e respondia “Cresce-se. Estende-se. Enche-se um vazio em si criando-o nos outros”. … Continuar lendo A geração Facebook

Qual é o teu tormento?, de Simone Weil

“A plenitude do amor do próximo é simplesmente ser capaz de lhe perguntar: “Qual é o teu tormento?”. É saber que o infeliz existe, não como unidade numa coleção, não como um exemplar da categoria social etiquetada de “infeliz”, mas enquanto homem, exatamente semelhante a nós, que foi um dia ferido e marcado com uma marca inimitável pela infelicidade. Para isso é suficiente, mas indispensável, … Continuar lendo Qual é o teu tormento?, de Simone Weil

Fake News, por Simone Weil

“O público desconfia dos jornais, mas sua desconfiança não os protege. Sabendo em geral que um jornal contém verdades e mentiras, ele divide as notícias anunciadas entre estas duas rubricas, mas ao azar, de acordo com suas preferências. Está assim entregue ao erro. Todo mundo sabe que, quando o jornalismo se confunde com a organização da mentira, constitui um crime” – Simone Weil, L’enracinement. Continuar lendo Fake News, por Simone Weil

Crepúsculo

Somos atormentados pelo tempo, ele atrapalha nossos planos. Ele nos compele a contemplar que apesar de tudo ainda somos meros humanos. Esses cabelos brancos não incomodam porque são feios, mas porque sua mera visão me obriga a enfrentar o tempo. “Não há nada trágico em ter 50 anos, a não ser que você tente ter 25”, diz Joe Gillis a Norma Desmond – a decadente estrela – no clássico de Billy Wilder, “O Crepúsculo dos Deuses”. Continuar lendo Crepúsculo

Dom Quixote, por G.K. Chesterton

“Dom Quixote é parte de todos nós, e a parte que sempre permanecerá e dará muito trabalho a qualquer pessoa que quiser nos atar definitivamente a qualquer constituição política ou filosofia sintética. O cavaleiro figura no romance de Cervantes como inimigo daquela civilização que pensa que tudo é melhor se confiado a uma instituição. Na história, ele é o último indivíduo; ele tem o incorrigível … Continuar lendo Dom Quixote, por G.K. Chesterton

O homem clássico, de Dietrich von Hildebrand

“O homem clássico está preocupado com problemas autênticos. Ele reconhece o perigo do pecado, percebe sua necessidade de salvação, conhece sua fraqueza e fragilidade de sua natureza, está repleto de anseio pela verdade, a comunhão, o amor, sente a insuficiência daquilo que é criado, aspira pelo absoluto, e está “inquieto enquanto não repousa em Deus”. O homem não-clássico está absorvido por problemas ilusórios, problemas originados … Continuar lendo O homem clássico, de Dietrich von Hildebrand

A Civilização das Máquinas, de Georges Bernanos

A Civilização das Máquinas é a civilização da quantidade oposta àquela da qualidade. Os imbecis dominam, portanto, pelo número, e eles são o número. Já disse, e direi novamente, repetirei até que o carrasco não tiver amarrado no meu pescoço a forca: um mundo dominado pela Força é um mundo abominável, mas o mundo dominado pelo Número é vil. Continuar lendo A Civilização das Máquinas, de Georges Bernanos

A beleza do mundo, de Simone Weil

“A arte é uma tentativa para transportar numa quantidade finita de matéria modelada pelo homem uma imagem da beleza infinita do universo inteiro. Se a tentativa é bem-sucedida, esta porção de matéria não deve esconder o universo, mas ao contrário revelar a realidade ao seu redor. As obras de arte que não são reflexos justo e puros da beleza do mundo, aberturas diretas praticadas sobre … Continuar lendo A beleza do mundo, de Simone Weil

Plastificação

Vivemos na Época da Pornoalienação, da nudez coletiva, do sexo banal, dos corpos fantasmagóricos multiplicados ad nauseam… quanto mais multiplicas uma coisa, tanto mais a destróis. Já não há mais indivíduos, mas bonecos. Por isso, a Capital francesa teve a honra de anunciar que tem o primeiro bordel de bonecas de plástico. Romano Amerio sabiamente identificou uma peculiar idolatria do século XX: a Somatolatria. Mas como todo … Continuar lendo Plastificação

Horizontalidade

O artista Asad Raza instalou dentro de uma Igreja do século XVI – Chiesa di San Paolo Converso, em Milão – um campo de tênis *. Toda sacra teatralidade barroca subjugada pelo trivial esporte. Eis a Arte de nosso tempo. Houve tempo – demasiado primaveril para nós – em que ainda éramos capazes de sairmos de nós mesmos, para erguer os olhos, mirar o alto … Continuar lendo Horizontalidade

O intelectual imbecil, de Georges Bernanos

Há muito tempo a experiência me mostrou que o imbecil não é nunca simples, e muito raramente ignorante. O intelectual não deve, portanto, por definição, nos ser suspeito? Chamo de intelectual, o homem que se dá a si mesmo este título, em razão dos conhecimentos e dos diplomas que possui. Eu não falo evidentemente do sábio, do artista ou do escritor cuja vocação é criar … Continuar lendo O intelectual imbecil, de Georges Bernanos

As sereias

Na Odisséia de Homero, Circe alertava Ulisses sobre o perigo das Sereias, deveria ele ao se aproximar das terríveis criaturas, ter mãos e pés atados ao mastro. “E se pedir me desateis, vós outros – diz o Herói – De pés e mãos ligai-me com mais força”. Mas hoje as coisas mudaram e as sereias estão na moda. É o sereísmo, isto é, mulheres e … Continuar lendo As sereias

Aproveitamento político

A contemplação estética é algo completamente desconhecido ao nosso tempo. Deixar-se capturar pela beleza de uma Pintura ou a solenidade de uma escultura, deixar-se seduzir pelos versos de um Poema, é inadmissível. Ela tem que ser  reduzida a mero utilitarismo. No “Manchester Art Gallery”, no Reino Unido, foi retirada de exposição um quadro do pintor pré-Rafaelista, John William Waterhouse, intitulado “Hylas And The Nymphs” *. … Continuar lendo Aproveitamento político

Para todos

No “Os Irmãos Karamazov” de Dostoievski, o stáriets, fala de um médico que amava profundamente a humanidade, e dizia: “Quanto mais detesto as pessoas em particular, tanto mais ardo de amor pela humanidade em geral”. Lembre-se sempre destas palavras ao ver televisão, recorde-se delas nas redes sociais. Tenha medo, portanto, dos ativistas, repletos de neologismos, senhores dos slogans, tenha pavor dos intelectuais engajados. Desconfie dos … Continuar lendo Para todos

Quando em Roma

O “Corriere della Sera” nos fala de um atual fenômeno social: a falta de cultura dos turistas estrangeiros na Cidade Eterna*. Destacam-se sobretudo as bizarras perguntas dos turistas, tais como: “Mas Moisés pousou para Michelangelo?”; ou ainda, “Mas Jesus posou para a Pietà?”… Eis que agora, a História só interessa para ser reescrita e a Arte para fins ideológicos. Estudar hoje é irrelevante. A única … Continuar lendo Quando em Roma

Só a educação salva?

Atenção! Desconfie das respostas simplórias, especialmente dos messianismos cafonas. Cuidado com pseudo-redenção pedagógica. Por detrás de certa sacralização da escola se enconde o campo de reeducação. Lembre-se que hoje, sacralizar algo é politizá-lo, e por aí pululam os cultos idolátricos. Para elevar a educação ao Olimpo ideológico, as ‘grandes mentes’ se oferecem para sacrificá-la ao Deus Futuro. Não se engane, para eles, não se trata de ler … Continuar lendo Só a educação salva?

Ato subversivo

Yoko Ono, a eterna viúva do século XX, comanda um projeto onde a música “Imagine” foi transformada num livro ilustrado, com direito a pássaros de diferentes cores e uma pomba acolhedora. É a ‘anti-fábula’ para este ‘homem novo’ – apátrida, areligioso, atônito. Apropriada marcha fúnebre para nossa geração: aquela da desesperança. As velhas fábulas se tornaram insuportáveis, demasiado humanas, recordam a existência do homem pré-ideológico. … Continuar lendo Ato subversivo

A Marca

A marca “Supreme” realiza Street Wear, mas no último ano resolveu também lançar um tijolo, com sua marca. Para quê? Não se sabe. O fato é que atualmente um só ‘tijolo’ fashion custa no Brasil R$ 629,90… Na atual Era do ridículo, não há estupidez grande demais que não se possa vender ao ‘homem novo’, basta convencê-lo que está na moda, basta ter uma boa … Continuar lendo A Marca

Divindades antropófagas, por Simone Weil

“Vivemos numa era esclarecida que abalou as superstições e os deuses. Não permanece apegada senão a algumas divindades que exigem e obtém a mais alta consideração intelectual, tais como a Pátria, a Produção, o Progresso, a Ciência. Infelizmente, estas divindades tão refinadas, completamente abstratas como convém a uma época altamente civilizada, são na sua maior parte da espécie antropófaga. Elas amam o sangue. Precisam de … Continuar lendo Divindades antropófagas, por Simone Weil