Propaganda e publicidade, Georges Bernanos

“Imbecis, não vedes que a civilização das máquinas exige de vós uma disciplina cada dia mais estrita? Ela exige em nome do Progresso, isto é, em nome de uma concepção nova de vida, imposta aos espíritos por sua enorme máquina de propaganda e publicidade. Imbecis! Compreendais, portanto, que a civilização das máquinas é ela mesma uma máquina, que todos os movimentos devem ser, cada vez … Continuar lendo Propaganda e publicidade, Georges Bernanos

Fake News, por Simone Weil

“O público desconfia dos jornais, mas sua desconfiança não os protege. Sabendo em geral que um jornal contém verdades e mentiras, ele divide as notícias anunciadas entre estas duas rubricas, mas ao azar, de acordo com suas preferências. Está assim entregue ao erro. Todo mundo sabe que, quando o jornalismo se confunde com a organização da mentira, constitui um crime” – Simone Weil, L’enracinement. Continuar lendo Fake News, por Simone Weil

Curiosidade mórbida

A contemplação estética é algo completamente desconhecido ao nosso tempo. Deixar-se capturar pela beleza de uma Pintura ou a solenidade de uma escultura, deixar-se seduzir pelos versos de um Poema, é inadmissível. A Arte tem que ser útil, política ou monetariamente. Ou é agente ideológico ou investimento financeiro. Deve ser reduzida a mero instrumento de reeducação social. Continuar lendo Curiosidade mórbida

O ditador, de Georges Bernanos

“O ditador não é um chefe. É uma emanação, uma criação das massas. É a Massa encarnada, a Massa no seu mais alto grau de maldade, no seu mais alto poder de destruição. Assim, o mundo irá, num ritmo sempre acelerado, da democracia à ditadura, e da ditadura à democracia, até o dia que…” Georges Bernanos, La France contre les robots Continuar lendo O ditador, de Georges Bernanos

Estruturas de pecado, de Fabrice Hadjadj

“A expressão é freqüentemente usada, mas raramente compreendida nas suas implicações. A primeira é que uma tal estrutura não é o fruto de uma só decisão, mesmo comum. Ela não corresponde a uma simples instituição humana, porque está além de seus atores. A isso se pode imputar a perda de visibilidade e de responsabilidade que implica a divisão burocrática do trabalho. Mas isso vai ainda … Continuar lendo Estruturas de pecado, de Fabrice Hadjadj

Análise da Obra “Casti connubii”, de Giovanni Gasparro

Ao realismo da obra, nos traços da criança com seus olhos melancólicos e as bochechas rosadas, segue algo de quase surreal com as múltiplas mãos que tocam e cercam a criança. É impossível não captar a ironia do título desta obra, com a qual o artista venceu o “Bioethics Art Competition” da Unesco, em 2013. O título da obra, em latim, faz referência ao “casto … Continuar lendo Análise da Obra “Casti connubii”, de Giovanni Gasparro

Análise da Obra “Il sacrificio di Isacco – Il sacrificio sospeso”, de Giovanni Gasparro

Trata-se de uma das obras do artista realizadas para a Basílica de São José Operário de L’Aquila – cidade arrasada pelo terremoto de 2009. O tema é o sacrífico de Isaac e a suspensão da imolação. Isaac aqui não é um jovem rapaz, mas um homem adulto – ao contrário da opção de outros grandes pintores como Rembrandt e o próprio Caravaggio. O corpo de … Continuar lendo Análise da Obra “Il sacrificio di Isacco – Il sacrificio sospeso”, de Giovanni Gasparro

Giovanni Gasparro

Giovanni Gasparro é um jovem pintor italiano, originário de Bari, que apesar de nem sequer ter quarenta anos, já é classificado como o último caravaggesco. Certamente é herdeiro de Caravaggio – às vezes da fase napolitana do mesmo – e da expressão pictórica italiana, cheio desta particular intensidade teatral que vive e pulsa a Itália do sul. Do profano ao sacro, do clássico ao contemporâneo, … Continuar lendo Giovanni Gasparro

Crepúsculo

Somos atormentados pelo tempo, ele atrapalha nossos planos. Ele nos compele a contemplar que apesar de tudo ainda somos meros humanos. Esses cabelos brancos não incomodam porque são feios, mas porque sua mera visão me obriga a enfrentar o tempo. “Não há nada trágico em ter 50 anos, a não ser que você tente ter 25”, diz Joe Gillis a Norma Desmond – a decadente estrela – no clássico de Billy Wilder, “O Crepúsculo dos Deuses”. Continuar lendo Crepúsculo

Dom Quixote, por G.K. Chesterton

“Dom Quixote é parte de todos nós, e a parte que sempre permanecerá e dará muito trabalho a qualquer pessoa que quiser nos atar definitivamente a qualquer constituição política ou filosofia sintética. O cavaleiro figura no romance de Cervantes como inimigo daquela civilização que pensa que tudo é melhor se confiado a uma instituição. Na história, ele é o último indivíduo; ele tem o incorrigível … Continuar lendo Dom Quixote, por G.K. Chesterton

O homem clássico, de Dietrich von Hildebrand

“O homem clássico está preocupado com problemas autênticos. Ele reconhece o perigo do pecado, percebe sua necessidade de salvação, conhece sua fraqueza e fragilidade de sua natureza, está repleto de anseio pela verdade, a comunhão, o amor, sente a insuficiência daquilo que é criado, aspira pelo absoluto, e está “inquieto enquanto não repousa em Deus”. O homem não-clássico está absorvido por problemas ilusórios, problemas originados … Continuar lendo O homem clássico, de Dietrich von Hildebrand

A Civilização das Máquinas, de Georges Bernanos

A Civilização das Máquinas é a civilização da quantidade oposta àquela da qualidade. Os imbecis dominam, portanto, pelo número, e eles são o número. Já disse, e direi novamente, repetirei até que o carrasco não tiver amarrado no meu pescoço a forca: um mundo dominado pela Força é um mundo abominável, mas o mundo dominado pelo Número é vil. Continuar lendo A Civilização das Máquinas, de Georges Bernanos

A beleza do mundo, de Simone Weil

“A arte é uma tentativa para transportar numa quantidade finita de matéria modelada pelo homem uma imagem da beleza infinita do universo inteiro. Se a tentativa é bem-sucedida, esta porção de matéria não deve esconder o universo, mas ao contrário revelar a realidade ao seu redor. As obras de arte que não são reflexos justo e puros da beleza do mundo, aberturas diretas praticadas sobre … Continuar lendo A beleza do mundo, de Simone Weil

Plastificação

Vivemos na Época da Pornoalienação, da nudez coletiva, do sexo banal, dos corpos fantasmagóricos multiplicados ad nauseam… quanto mais multiplicas uma coisa, tanto mais a destróis. Já não há mais indivíduos, mas bonecos. Por isso, a Capital francesa teve a honra de anunciar que tem o primeiro bordel de bonecas de plástico. Romano Amerio sabiamente identificou uma peculiar idolatria do século XX: a Somatolatria. Mas como todo … Continuar lendo Plastificação

Horizontalidade

O artista Asad Raza instalou dentro de uma Igreja do século XVI – Chiesa di San Paolo Converso, em Milão – um campo de tênis *. Toda sacra teatralidade barroca subjugada pelo trivial esporte. Eis a Arte de nosso tempo. Houve tempo – demasiado primaveril para nós – em que ainda éramos capazes de sairmos de nós mesmos, para erguer os olhos, mirar o alto … Continuar lendo Horizontalidade

O intelectual imbecil, de Georges Bernanos

Há muito tempo a experiência me mostrou que o imbecil não é nunca simples, e muito raramente ignorante. O intelectual não deve, portanto, por definição, nos ser suspeito? Chamo de intelectual, o homem que se dá a si mesmo este título, em razão dos conhecimentos e dos diplomas que possui. Eu não falo evidentemente do sábio, do artista ou do escritor cuja vocação é criar … Continuar lendo O intelectual imbecil, de Georges Bernanos

As sereias

Na Odisséia de Homero, Circe alertava Ulisses sobre o perigo das Sereias, deveria ele ao se aproximar das terríveis criaturas, ter mãos e pés atados ao mastro. “E se pedir me desateis, vós outros – diz o Herói – De pés e mãos ligai-me com mais força”. Mas hoje as coisas mudaram e as sereias estão na moda. É o sereísmo, isto é, mulheres e … Continuar lendo As sereias

Aproveitamento político

A contemplação estética é algo completamente desconhecido ao nosso tempo. Deixar-se capturar pela beleza de uma Pintura ou a solenidade de uma escultura, deixar-se seduzir pelos versos de um Poema, é inadmissível. Ela tem que ser  reduzida a mero utilitarismo. No “Manchester Art Gallery”, no Reino Unido, foi retirada de exposição um quadro do pintor pré-Rafaelista, John William Waterhouse, intitulado “Hylas And The Nymphs” *. … Continuar lendo Aproveitamento político

Para todos

No “Os Irmãos Karamazov” de Dostoievski, o stáriets, fala de um médico que amava profundamente a humanidade, e dizia: “Quanto mais detesto as pessoas em particular, tanto mais ardo de amor pela humanidade em geral”. Lembre-se sempre destas palavras ao ver televisão, recorde-se delas nas redes sociais. Tenha medo, portanto, dos ativistas, repletos de neologismos, senhores dos slogans, tenha pavor dos intelectuais engajados. Desconfie dos … Continuar lendo Para todos

Análise da obra “Ruína de Charque Caruaru, 2000”, de Adriana Varejão

Uma peça irregular de madeira de aproximadamente 80x45cm, simulando um fragmento de concreto reciclado de construção, possivelmente recortado com uma serra de corte duplo com controle eletrônico de velocidade e sistema antivibração. Continuar lendo “Análise da obra “Ruína de Charque Caruaru, 2000”, de Adriana Varejão”

Quando em Roma

O “Corriere della Sera” nos fala de um atual fenômeno social: a falta de cultura dos turistas estrangeiros na Cidade Eterna*. Destacam-se sobretudo as bizarras perguntas dos turistas, tais como: “Mas Moisés pousou para Michelangelo?”; ou ainda, “Mas Jesus posou para a Pietà?”… Eis que agora, a História só interessa para ser reescrita e a Arte para fins ideológicos. Estudar hoje é irrelevante. A única … Continuar lendo Quando em Roma

Só a educação salva?

Atenção! Desconfie das respostas simplórias, especialmente dos messianismos cafonas. Cuidado com pseudo-redenção pedagógica. Por detrás de certa sacralização da escola se enconde o campo de reeducação. Lembre-se que hoje, sacralizar algo é politizá-lo, e por aí pululam os cultos idolátricos. Para elevar a educação ao Olimpo ideológico, as ‘grandes mentes’ se oferecem para sacrificá-la ao Deus Futuro. Não se engane, para eles, não se trata de ler … Continuar lendo Só a educação salva?