A era da beleza em fuga, de Cristina Campo

“Contudo, amo o meu tempo porque é o tempo em que tudo se desfaz e é talvez, precisamente por isso, o verdadeiro tempo de fábula. E certamente não quero dizer com isso a era dos tapetes voadores e dos espelhos mágicos, que o homem destruiu para sempre no ato de fabricá-los, mas  a era da beleza em fuga, da graça e do mistério prestes a … Continuar lendo A era da beleza em fuga, de Cristina Campo

Teens

Querem me provar errado, me chamam exagerado, dizendo que ainda há interesse por literatura no Brasil. E num acesso de raiva, me dizem que a literatura está viva:  – Mas as novas gerações leem, as crianças leem, os adolescentes também leem. Veja os dados, como certa famosa autora brasileira, escritora de livros infanto-juvenis vendeu 2 milhões de livros. E contra fatos não há argumentos – me … Continuar lendo Teens

Freak Show

O homem novo está sempre entediado. Fabricado ideologicamente para o déficit de atenção, precisa de constante estímulo para manter-se desperto e de múltiplas drogas para conseguir dormir. Desconhece a vida real fora do laboratório. Daí o papel de primeira linha do Freak Show em nossa subcultura: Dopar-nos. Lo Spagnoletto já conhecia tal bizarra inclinação. Das Mulheres barbadas à chuva de palavrões para defender os bons costumes… … Continuar lendo Freak Show

Bomba de efeito moral

Como evitar que os sem-teto invadam os locais públicos? Gás de pimenta, bomba de efeito moral? Faz um tempo que a SNCF [1], companhia ferroviária francesa, descobriu a resposta a tal pergunta durante uma reforma na estação de Rennes. Trata-se da velha e boa música. Mas tem que ser música clássica! Não pode ser hard rock, pop ou rap, tem que música ‘erudita’. Tem que ser Vivaldi, … Continuar lendo Bomba de efeito moral

Flores do Mal

Em 30 de junho de 1845, Baudelaire escreveu uma carta de suicídio. Ele tinha apenas 24 anos. Tentativa infrutífera é verdade, mas aparentemente muito lucrativa. Já que acabam de leiloar a trágica carta por nada menos que 234 mil libras esterlinas [1]  Na era pós-Poética, escondida a Palavra, desprezada a Beleza, o poeta só vale como personagem de folhetim. Depois da banalização do Mal, já não … Continuar lendo Flores do Mal

A política e o charlatanismo

Como os charlatões e ocultistas com suas bolas de cristal e borras de café no fundo da xícara, os ideólogos modernos utilizam uma linguagem místico-simbólica, baseada num fluxo de informações incontrolável. É assim que o ideólogo se torna uma autoridade incontestável e passa a apresentar absurdos com ares de sabedoria perene. Continuar lendo A política e o charlatanismo

O único remédio para o desemprego, por Simone Weil

“O único remédio para o desemprego é construir. Mas construir o quê? A única coisa que podemos construir é uma civilização. Nova, comparada ao terrível caos que terminou em pesadelo. Antiga, pelo espírito. Viva. Se nós pudermos…” (Simone Weil. ÉCRITS DE LONDRES et dernières lettres) Continuar lendo O único remédio para o desemprego, por Simone Weil

Eterno Labirinto, por Cristina Campo

“A arte de hoje é, em grandíssima parte, imaginação, isto é, contaminação caótica de elementos e de planos. Tudo isso, naturalmente, se opõe a justiça (que de fato não interessa a arte de hoje). Se, portanto, a atenção é espera, aceitação ardente, impávida do real, a imaginação é impaciência, fuga no arbitrário: eterno labirinto sem fio de Ariadne. Por isso, a arte antiga é sintética, … Continuar lendo Eterno Labirinto, por Cristina Campo

Não vou canonizar Baudelaire, por Leonardo Castellani

“Não vou canonizar Baudelaire, certamente não é uma leitura para moças que se alimentam com sanduíches e novelas norte-americanas, nem para moças em geral, nem para beatos, nem para burgueses, nem para burros, nem para sacerdotes não advertidos, nem para homens sem percepção artística, nem para a imensa paróquia do moralismo e da ortodoxia infantil. Espreitar o abismo não é para todos; e o abismo … Continuar lendo Não vou canonizar Baudelaire, por Leonardo Castellani

Um partido político, de Simone Weil

“Um partido político é uma máquina de fabricar paixão coletiva. Um partido político é uma organização construída de modo a exercer uma pressão coletiva sobre cada um dos seres humanos que são membros dele. O fim primeiro (e, em última análise, único) de todo partido político é seu próprio crescimento, sem limite. Tendo em vista essa tríade de características, todo partido é totalitário, potencialmente e em aspiração. … Continuar lendo Um partido político, de Simone Weil

A Política, a mais cruel divindade

Nosso problema não é tanto a demonização da política, mas sua divinização. Toda a interioridade do homem foi absorvida por essa idolatria, por isso a turba informe pode clamar: Eu sou o Lula. Já havia alertado Simone Weil: “A atual idolatria do totalitarismo não pode encontrar obstáculo senão na vida espiritual autêntica. Se habituamos as crianças a não pensar em Deus, se tornarão fascistas ou … Continuar lendo A Política, a mais cruel divindade

A Atenção e a Imaginação, de Cristina Campo

“A atenção é o único caminho ao inexprimível, a única estrada ao mistério. De fato, está solidamente ancorada no real, e somente por alusões escondidas no real se manifesta o mistério. Os símbolos das Sagradas Escrituras, dos mitos, se vestem das formas mais concretas desta terra: da Sarça ardente ao Grilo Falante, da Maça do Conhecimento às Abóboras de Cinderela. Diante da realidade, a imaginação … Continuar lendo A Atenção e a Imaginação, de Cristina Campo

Imbecilidade artificial, por Fabrice Hadjadj

“Eu sou tentado a pensar que o horizonte dos fabricantes de computadores não é tanto a inteligência, mas a imbecilidade artificial. Porque o imbecil não é aquele que consente ao estupor, mas aquele que tem resposta para tudo. Incapaz de se abrir ao que lhe transcende, ao outro, ao acontecimento, ele mói tudo no seu pequeno sistema. Ora, um sistema informático sabe muito bem encerrar-se … Continuar lendo Imbecilidade artificial, por Fabrice Hadjadj

A geração Facebook

Basta ligar o computador – ou o smartphone ou sabe-se lá mais o quê – para se deparar com estas massas fantasmagóricas digladiando-se virtualmente, num espetáculo tão patético como desumano. Eis a geração Facebook! Mas afinal, o que se ganha quando se faz o mal aos outros? Já Simone Weil punha tal questão e respondia “Cresce-se. Estende-se. Enche-se um vazio em si criando-o nos outros”. … Continuar lendo A geração Facebook

Qual é o teu tormento?, de Simone Weil

“A plenitude do amor do próximo é simplesmente ser capaz de lhe perguntar: “Qual é o teu tormento?”. É saber que o infeliz existe, não como unidade numa coleção, não como um exemplar da categoria social etiquetada de “infeliz”, mas enquanto homem, exatamente semelhante a nós, que foi um dia ferido e marcado com uma marca inimitável pela infelicidade. Para isso é suficiente, mas indispensável, … Continuar lendo Qual é o teu tormento?, de Simone Weil

Jane Austen e a tragédia da fama

Poucos escritores conseguiram – num tempo anti-literário como o nosso – tão grande popularidade como Jane Austen. Ela conseguiu ser best seller, ela ficou famosa. Mas sabiamente já alertava Gustave Thibon: “A fama tem asas rápidas, mas voa na altura do solo. Se prende ao lado mais superficial e mais conforme ao gosto do dia, ao mais vulgar e mais escandaloso do gênio que ela … Continuar lendo Jane Austen e a tragédia da fama